quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Sento.

Sinto.
Sem senso,
SENTO
O universo
Silencia

Apenas paginas
vazias
que outrora
escrevia

Num antigo
o artigo

FUTURO.



quarta-feira, 24 de julho de 2013

FISSURA

Ela estendeu a mão lhe pedindo um trago de cigarro. Ele negou com os olhos.
- Você não fuma 
Estendendo também a mão para lhe atender ao pedido. Achou bonito o jeito como ela tragava, mas calou-se. Sem incentivos. Era tarde.
Faltava pouco para chegar a sua rua. Ele dirigia como um doido, não aguentava mais esperar. Ela cochichava todas as suas vontades a beira do ouvido. Ele arrepiava, ela molhava.
Ambos se desejavam, se queriam...
A vários dias não se tocavam, mas sabiam bem o sabor um do outro.
Não demorou a que ele dirigisse apenas com uma mão, enquanto a segurava pelos cabelos. Sim, ela já estava entre suas pernas. Com os lábios, a língua, a saliva. Já não existia outra coisa, só os dois.
Era impossível chegar até quarto e pararam ali, assim, na rua mais próxima, na rua mais silenciosa da noite.
Num impulso súbito a calça jeans já não atrapalhava. Estava em cima, bem por cima e vagarosamente encaixou-se nele.
As suas mãos prenderam-se ao rosto e aos negros cabelos, cada vez mais excitada por ouvir seus gemidos, que aumentavam a todo tempo. Adorou ver no fio de luz que entrava seu rosto transfigurado de tesão.
Enquanto ele segurava firme pela cintura, empurrava-a contra ele mesmo. Espremia. A todo o momento dizia querer explodir, então lhe colocava mais força.
Aos poucos algumas janelas ousaram acender as luzes. Eles nem perceberam, continuaram. Até de fato explodirem, exaustos, tentavam se recompor, mas não podiam... Queriam.
Ele ligou o carro. Já não dirigia tão rápido.

Sorriram ainda extasiados... Sabiam que a noite só havia começado.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

ADIANTE

Eu gosto 
Do arrepio
Quando os teus dedos suaves
Tocam firmes nos meus lábios
e descem
pela nuca.
Segura.
Respira. 
O gosto
Que gosto, que sinto
Saudade...
E conto.
Os segundos atrás
Para que se adiante...
 os de adiante.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Azul







Hoje o céu amanheceu,
Azul.
Apesar das gotas,
Da chuva.
Apesar da distância...






Que o tempo,
 não calcula.








...

domingo, 21 de abril de 2013

Nu Termômetro


Tempo frio
Corpo quente
Assim eu desatino.
mãos geladas,
 a percorrer o corpo... 
e nos delírios.
 Eu
Desatino!
respiração forte, 
pernas bambas,
 eu rezo, 
eu peço, 
na manha.
desabotoa a camisa,
 me paralisa. 
Eu 
Desatino!
E sobe aos poucos meu vestido
um corpo nu na cama
amassando os tecidos,
talvez estejamos em maus lençóis,
não me preocupo com isso.
Desatino!
Vestindo a alma, 
descobrindo os sentidos,
 tu me desatinas, 
eu te desatino!
Nu emaranhado
De nós
Dois. 




Ana Agridoce e Maria Tereza Calisto
Ana Agridoce e Tai Borges.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

POEMA


Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás

Ney Matogrosso

terça-feira, 16 de abril de 2013

Treino.



Os dedos passeiam por entre os grandes lábios, agora molhados. E sugere lhe tirar a calcinha. 
Não havia um desejo manso, eram dois touros correndo a mesma direção.
As mãos que seguram os pulsos, no cavalgar que faz gemer, antes tremiam procurando fuga para os pensamentos.
Era então o novo vicio, de subir por entre as pernas e deixar que o corpo caísse. No encaixe. Como um peão que se prende firme a sela, não poderia cair. Segurava. Subia, descia. Recomeçava.
 Descobrindo caminhos do novo gozo. Na boca seca, que molha o ventre. 
Você sorri e diz não aguentar. 
 Sentei atrás onde os lábios deslizavam. Sentia o arrepio, o cheiro, o gosto. O desejo que amolecia o corpo. Encontrei no manchado o desenho que queria percorrer, a língua já entedia o que fazer.
Delicio-me com cada passo imaginado.
O vermelho despido, lhe fez ofegar, é quando encosto o ouvido no lábio, a pele muda de textura, a língua desliza até o seio, certeira. Viro pelo avesso, volto, os olhos reviram. Gozo.
E você sorri porque não vai mais aguentar, o novo vicia e lhe permite danar.







terça-feira, 2 de abril de 2013

CASULO



A hermética borboleta azul
Que atrai no mistério cinza
de um casulo azul
Cinza.
Cálido, rasga
a quem olha nos lábios
e pode se perder
num casulo que se abre
ao toque das letras
no costurar das asas
Voa




                                              

sexta-feira, 29 de março de 2013

OS MUROS


Os grandes tomavam o sol
com seus grafites
6:20 am
o seio pálido saia,
era farto.
A boca da favela alimentava
O que era seu
Dois ou três barrigudinhos
Grudavam-se as tetas

Na cidade que nasce
E não cresce.

sábado, 23 de março de 2013

Do outro lado da rua


Do outro lado da rua
A porta do cortiço,
Um gato.
Numa cor cinza.
Talvez raça, talvez caça.
Sem classe social.

A porta do cortiço,
Já não via,
não queria.
Um gato, numa classe,
Sem social.

Numa tarde cinza
Socialmente cinza.
Uma gato a porta do cortiço
Já não era classe.

E agora?
o prédio, o lance, a escada,
E a porta.
Mal classificados frente ao cortiço.

Onde o gato cinza,
Já não era
atravessará!

quinta-feira, 21 de março de 2013

SAUDADE



Eram compridas as escadas
os degraus de lugar algum
Naquela cidade
De lugares distantes
Tarde sem brisa
os altos prédios
não deixavams o vento tocar-lhe no rosto.
Era o caos urbano
de fumaça espeça
Em estradas sem movimento.
Que estanca
nem a frente
nem atras


E no fim do dia a sensação do dever comprido, cumprido!

sexta-feira, 15 de março de 2013

Masoquista



Era o inicio de mais um vicio. 
Satisfazer o teu sadismo.
Eu, sentada no teu colo, enquanto sentia a pele entre teus dedos. Repetia o mantra cerebral: “isso é só desejo”. Ainda de costas desabotoava-me, num caminho que já sabia de cor.
Eu extasiada num cheiro que era teu, que procurei em outros corpos, mas não. 
Era o teu.
Levanta brusco pra me olhar nos olhos e apaga a luz. Eu tento em vão despir-me, mas este é teu gosto, ver cada detalhe nu, na claridade fosca do abajur.
Ousei procurar sadismo, numa enciclopédia velha. A definição tinha teu nome e não notei. Prefiro não notar. Mas sei.
Agora te sinto entrar, no meu sentar. Seus olhos fecham, os meus reviram. Não existe calma, é só desejo.
A boca seca, a perna molha. Lhe dou as costas e tudo acaba. É só desejo.
Do teu sadismo.

domingo, 10 de março de 2013

A QUEM NÃO É FELIZ


  • Quando acordei estava entre tuas pernas. Não era um sono ou sonho profundo. Era o despertar do frenesi.
    Cavalgava. Livre. Na cadência do teu paladar.
    Quando olhei em teus olhos, senti o gosto do pecado que me tocava o ventre e escorria por entre os lábios.
    Lábios desejáveis de tuas saudades, de tuas vontades. Do teu tesão. Que se encontram no caminhar depois do umbigo. Quente.
    Pedia então a Deus que me tocasse como de costume, até que gozasse. Mas calasse.
    Não posso ouvir o erro que respinga da tua febre... É eu sei que sente febre. Também a sinto.
    E sei também que pedes perdão a ele. Pois sabe de sua metade.
    Restou-me então voltar ao chuveiro, rezando. Dizendo alto: “Febre abaixe! Por que não atendo mais a este delito.”
    O toque de quem não é feliz. Para que agora também me torne infeliz.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Amarelaranja

Visto-me, na tua fantasia. À janela, sei o que pensa. Assim no longo, no demorado no comprido. Amarelaranja.
O sonho de despir a pele morena que os teus olhos não negam... Eu assim me travisto da janela, em fantasias furta cor.
Ora laranja. Ora amarela.
Da janela eu posso ouvir o teu respirar, e o suor que escorria entre as palavras jogadas a rede. Lamenta os toques laranja no espelho e geme amarelo quando lhe mando subir.
Todos os degraus pisados em furta cor.
E a noite que terminaria rubra, não pode começar branda. Começa em tons de manga. Ora rosa.
No suspiro do vestido rasgado é que goza. Desce agora os degraus. Da janela sorri.
Uma musa que sou. Amarela que fico na cidade que brotou laranja.


                                 


                                                       Para Larissa Rodriguês

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

As margens do tédio.

Seguiam sua rotina, mas aquele trecho era especialmente podre.
Naquele dia, o tão majestoso,  Tiête cheirava surpreendentemente pior que todos os outros.
 Dorothy parecia simplesmente não se importar. Insistia para que parassem as margens como de costume. Narciso contrariado, não teve muitas opções sentou-se preparando a mangarosa, pois sabia que nenhum outro remédio abriria seu apetite.
Sentados, enquanto a fumaça entrava admiravam todas as fraldas, sofás e tênis Adidas que passavam pelo rio.
Narciso fechou os olhos, esboçando um sorriso:
-Hoje, estou com uma puta inveja dos cariocas. Imagina ter Copacabana pra distrair com biquínis e tudo mais.
Ela irritada com a demora de Narciso:
-Mas tudo enjoa.

Pensou ele que enjoar de merda é muito mais fácil que enjoar de bunda. Mas preferiu não rebater e seguiu respirando pela boca para evitar o mau cheiro, até o boteco onde o macarrão com almondegas lhes esperavam.
Comeram como babuínos adestrados. Depressa para bater o ponto do escritório, sem um decimo de atraso.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Da Fidelidade

Julga-me infiel
Pelos outros corpos em minha cama
Mas digo, agora, sem pudor
Que a traição não vem de mim

Afinal sou, eu, MULHER.
E não posso resistir
Tantas bocas. Tantos sabores.
Sou mulher de carne.
E gosto de conhecer o que as outras carnes têm.

O que achas traição, chamo diversão
O que quero é o gozo
Que se resume no fim
Mas tu
Tu és sádico e gostas é do começo
O que queres é o sabor do romance
Não procuras gozo em outros ventres,
Mas amor em outras almas


Então defino
Sem ética, o termo de sua fidelidade
Separando o profano do divino

Ofereço a eles o profano.
A ti guardo o sagrado
E não te importas
Guardas apenas o desejo.
Aquele. Que arde entre as pernas
Mas o coração está entregue
                                           [a quem o cative]

Sugiro então que se imprima
Do Aurélio talvez
O que se é fidelidade...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Já escolheu a fantasia?

Um sol.
Ardente
pensei no inferno,
                            era apenas carnaval.

Bolei algumas fantasias
baseada na saudade
Do que tenho, mas nunca foi meu
Aqui da sala escuto o radinho branco da cozinha
Era ele, por nome, Otto.

" Aqui é festa amor
E há tristeza em minha vida"

Então, é carnaval
E fantasiei uma vontade de não sair de casa
fantasiei uma vontade de desligar o telefone
Uma vontade de não esperar o desejo de tua presença.

Fantasia de chuva, e havia sol
Ardente

E você já escolheu a fantasia?


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Rotina

Poderia sentar-me aqui e lhe escrever sobre todos os meus erros. Ou se lhe interessa os mínimos acertos. Mais a frente poderia lhe citar os deleites e prazeres. Mas não os farei porque neste instante só posso descrever aquela noite de lua alaranjada.
O telefone toca mais uma vez. Era você, tentando contornar a última ligação. Eu me chateio. Não resisto.
Já estou no carro com sua mão na minha perna. Você dizendo que só existe um lugar para conversarmos a sós... Sim, insistimos em fingir que este encontro é apenas para: conversa casual sobre nossas vidas enquanto queimamos um.
Acende o baseado. Desta vez você é quem reclama do meu sumiço. Sei que, o que sente não é falta, é somente medo de perder sua válvula de escape. Isso quase me angustia, se eu não andasse tão canalha quanto.
Reclama do fumo. É, parece que desta vez invertemos tudo. E quando a fumaça envolveu todo hotel, resolvemos que era hora de começar.
Um beijo inflamado na boca seca, sem saliva. Eu gosto é dessa oportunidade de ser tão canalha quanto. Tanto cheiro, entre mordidas e línguas. Ouço os palavrões ao pé do ouvido. Que excitam por revelarem seus desejos. Acho graça das bocas que se procuram e não se alcançam. O único sentimento que se estabelece é de uma suposta amizade, e sabemos no fundo o gosto um do outro e da farta saudade que se sente.
Vejo seu rosto se transfigurar em tesão, mantenho meus olhos abertos. Quero me lembrar de cada toque. Mesmo quando me vira os olhos, segurando os cabelos no pé da nuca.
Pergunto o que você quer e não ouço resposta, assim atendo fielmente. Eu sei como você goza.
Penso ser fácil lhe ter nas mãos, quando habitas entre minhas pernas.
Já não quero.
São dedos que sentem gostos.
E sinto teu gozo. Ao fundo o som de um carro de polícia. Parecia estar dentro do hotel. Só paranoia de beck ruim. O medo de sair do quarto, nos permitiu que repetíssemos conversas que outrora já conhecíamos. Sim, tudo isso já ouvimos antes. Tudo se entende e pouco se compreende.
Agora já tanto faz. Doía ouvir todas as conversas repetidas, mas já não podia... Já não tentava. Só calava.
Não vou terminar a descrição daquela noite com tristeza, não posso, porque agora tanto faz, não é triste.
Tanto faz.
No fundo é gostoso fingir que, tudo isso, ainda faça alguma diferença. E é por isso que repito: "não sou de ferro".
A realidade é que ainda gosto do gosto, mas sei que posso desfrutar também de outros corpos e eles de mim.

Não, eu não sou de ferro.