quarta-feira, 24 de julho de 2013

FISSURA

Ela estendeu a mão lhe pedindo um trago de cigarro. Ele negou com os olhos.
- Você não fuma 
Estendendo também a mão para lhe atender ao pedido. Achou bonito o jeito como ela tragava, mas calou-se. Sem incentivos. Era tarde.
Faltava pouco para chegar a sua rua. Ele dirigia como um doido, não aguentava mais esperar. Ela cochichava todas as suas vontades a beira do ouvido. Ele arrepiava, ela molhava.
Ambos se desejavam, se queriam...
A vários dias não se tocavam, mas sabiam bem o sabor um do outro.
Não demorou a que ele dirigisse apenas com uma mão, enquanto a segurava pelos cabelos. Sim, ela já estava entre suas pernas. Com os lábios, a língua, a saliva. Já não existia outra coisa, só os dois.
Era impossível chegar até quarto e pararam ali, assim, na rua mais próxima, na rua mais silenciosa da noite.
Num impulso súbito a calça jeans já não atrapalhava. Estava em cima, bem por cima e vagarosamente encaixou-se nele.
As suas mãos prenderam-se ao rosto e aos negros cabelos, cada vez mais excitada por ouvir seus gemidos, que aumentavam a todo tempo. Adorou ver no fio de luz que entrava seu rosto transfigurado de tesão.
Enquanto ele segurava firme pela cintura, empurrava-a contra ele mesmo. Espremia. A todo o momento dizia querer explodir, então lhe colocava mais força.
Aos poucos algumas janelas ousaram acender as luzes. Eles nem perceberam, continuaram. Até de fato explodirem, exaustos, tentavam se recompor, mas não podiam... Queriam.
Ele ligou o carro. Já não dirigia tão rápido.

Sorriram ainda extasiados... Sabiam que a noite só havia começado.

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