sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Conversa de banheiro.

- Conversas impublicáveis?!
- De forma alguma minha vida é um livro de sacanagem aberto.


  • - Estou a ponto de te raptar

        •  - A M I G O, POR FAVOR!!!

          •  -  Pronto a ameaça já foi feita, agora pode decidir com calma!!!!!
            - Notou que fiquei sem palavras...? Que medo de nós!


            • é muito idiota e sugestivo... é quase um casamento, com mais sexo espero...

              • - Dificilmente manterei o posto de Pedrinho por muito tempo

                  • - vc me deixou sem palavras, mas com um sorriso no rosto
                • fiquei com vergonha...
                  para... temos que deletar complexos, certo?

                  •  - To tentando domar meu superego... mas tá foda
                  • nao foi só a Alicia que saiu de uma pelicula do Almodóvar...

                  • vc é uma explosao catartica de feminilidades! 
                    (isso não foi uma cantada)

                    • - sim... pensei numa coisa idiota 
                      (sempre pensamos coisas idiotas meu caro... somos fãs do Nathan!)
                    • tomará que vc seja a peça que falta...
                    • vick, cristina barcelona
                    • Eu não perco em nada pro Juan Antonio...


                       - As vezes cogito... outras não... somos humanos...
                       - Somente a imprevisibilidade nos move

                      - que bom... a Alicia ta dizendo que eu nao perco nada pra Juan antonio (dessa vez foi ela que ironizou)
                        

                      PAUSA PRA FOFOCA!
                       - Velho, sem noção o comentario do "FULANINHO" na tua foto...
                      • tá rolando algo? ( Me excedi)



                         - vc virou uma extensão de mim 
                        então. A ocasião faz o ladrão...
                • pois é... eu entendo ela. Sexo com quem se admira é diferente, na minha opinião é melhor... mas é muito mais perigoso.

                  • -Muito mesmo...
                    • por isso tenho dado tanta atenção aos bocós...
                    • tenho medo de me apaixonar... qndo a gente realmente acha que o outro vale a pena...fica muito difícil dividir...

                    • - se tiverem todos afim, q comece la fiesta!


                      • lembra desse tchno?

                        kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
                        • dancei muito na brodinha

                          vish.. caderninho de vergonhas...

                          - Sempre afiada.
                          pois é... NÃO TIVEMOS CORAGEM DE VER MISFITS!!!!!!!!!!

                          eu queria entrar numa onda de masturbação feminina...
                          • tipo tirar esse conceito de que só homem faz isso...
                          • e de que é feio mulher assumir que faz...
                          • saca?
                            eu to fazendo um intensivo com a Alicia
                            • ela vai dando as instruções

                              Ela é demais ( eu concordo, estamos apaixonados pela mesma mulher a uns 8 anos!) não me canso de falar.



                              • - Hum...
                                então...acho que depende de quem faz...
                                Tem uns que meu deus... não pare... mas outros é... ai saí daí logo
                                •  Ela me deu um conselho ótimo esses dias: "língua nao é pau"
                                   Eu queria dizer isso a muita gente...
                                  - Foi aí que descobri o caminho das pedras


                                  - meu desiste desse troço e vai bater uma que vc ganha mais.
                                  conselho de amigo...
                                  satisfação garantida!

                                   - DUVIDO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
                                  • VOU BAFORAR UM LANÇA NOW! HÁ
                                  • FILHO DA PUTA!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Um conto vulgar.



Havia naquela noite um demônio em sua cama.
 A pequena enxerga, ao longe, cabeças que passavam. Transeuntes que perambulavam, sem atrapalhar o êxtase que lhe envolvia.
E a unha se tingia ao raspar o suor da pele cinzenta.
Trabalhara em uma lavanderia durante o dia. Mas sua pele insistia em ter cheiro de prazer.
 - Cadela – pensava o clássico chinês, dono da lavanderia.
Comeu no almoço o feijão com arroz pré-aquecido no forno de microondas. Feijão, arroz superficialmente aquecidos. O centro fervia, as bordas frias. E cada grão que engolia manchava o garfo de cabo branco com seu batom rosa Pink barato.
Ansiava por findar o expediente, pois o publico passante lhe excitava e perante o demônio que a habitava imersa naquele inenarrável espetáculo, despir-se-ia frente ao espelho.
Não se sentia mal e gostava de sentir o seu próprio gosto.
Dedos, cheiros, cabelos longos, negros aos cachos que grudavam no rosto que gotejava orvalho de suor.
Dançou embevecida de sua própria saliva, enquanto aquele que habitava em sua cama tocava lhe as pernas de maneira a deixar marcas.
Sua cabeça palpitava personagens, que antes domou por entre as pernas. Envaidecida pelo alto numero, deleitava toques nus. E em meio a tantos rompantes de furor, uns lhe molhavam a nuca, outros faziam frigida, em busca de outro homem que a libertasse...
Há muito já não estava com a calcinha velha e desbotada, nem ao menos frente ao espelho.
Preferia agora se instalar abaixo do chuveiro gotejante, ora frio, ora de arrancar-lhe o couro. Ainda assim exalava prazer.
Tinha sede de si própria. Não mais sentiu os homens, não os desejou.
Não lhes deu prazer.
O seu próprio sabor lhe servia bem.
Nem o demônio romperia o porvir. Tocou-se como nunca antes. Lambeu os dedos gostou do sabor. A febre súbita lhe subiu a raiz dos cabelos.
Eis o fim da busca. Ninguém iria tão longe por ela...
Com a carne estremecida, sentou no chão. O chuveiro já não pingava quente. Acabou o banho com espuma nos negros e cacheados fios de cabelo.
Vestiu o vestido justo florido, perfumou-se, sandália e batom rosa barato. Foi encontra-se como rapaz do cortiço, que a instigou aquela tarde. Tomaram algumas doses de lubrificantes sociais. O rapaz já não enxergava flores, apenas curvas e pensou: - Cadela.
Naquela noite, deitou-se e dormiu sozinha.

Nem seu demônio a acompanhou.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Offtopic! No surprise.

Sei que tenho um longo e atrasado numero de postagens impublicadas (acabo de descobrir que esta palavra"impublicada", não existe - "Classic"), mas esta noite um torpor natalino me sobreveio...
Sim, Dorothy adora natal!!!
O natal, o chocotone Bauduco, e o especial do Robertão. Além do incansável hit, que esse ano lançou uma versão fabulosa que não ousarei comentar... "Todos os nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou...". Eu sempre me emociono ( me de um copo de veneno, com duas pedras de gelo pelo menos).
E Dorothy se encanta com o Natal simplesmente por sua ironia presente em cada adorno, e todo mundo resolver ser bom em nome de um nascimento. E lá vem presépio com reis magos e seus presentes...
É obvio que ela é cristã. E agradece nas noites escuras, mas já não crê na santidade. E isso faz um tempo.
Porque "todo ser humano, pode ser humano" e devem ser, inclusive os que fazem aniversário em dezembro.
Mas eu gosto do natal e das roupas novas, do shopping lotado de 13° e cartão de crédito. Gosto também do Papai Noel com a barba amarela do cigarro e olhos azuis, e o buço enxarcado de suor, que não cansa de beijar bochechas rosadas. Meu humor seria áspero se eu fosse o velho pançudo de gorro no verão baiano.
Eu gosto do natal porque a meia noite Jesus pode cola com jaqueta de couro, um triciclo e pet dos corvos. Narciso me narrou este fato. Ha tempos. Só hoje creio que humanos podem expandir um lado obscuro do cérebro e tocar o divino. Não existem santos, apenas o lado impar...
E o pior é que gosto e me rendo ao natal. Por que no fundo todo mundo pode ser bom e suficientemente ridículo pra acreditar que tudo isso é real.
Natal é legal, eu sei que é, por que a ignorância se torna plural e a inteligencia - mais uma vez - é uma coisa idiota.
Desculpem-me, mas eu gosto do natal e papai Noel já respondeu a minha ultima cartinha, com farsas inenarráveis de um espirito natalino e o verdadeiro motivo para comemorações...

Renas voam para solucionar nossos problemas.

sábado, 17 de dezembro de 2011

"3 dias / 3 pitacos"

Olá minha doce amiga!

Como o prometido, me encarreguei de responder suas perguntas..
Acabei fazendo uma pergunta ou outra que você poderia responder nos comentários.

Um beijo longo.

Ass.: Tico.


O que achou dos aditivos?
Recorri aos aditivos por uma questão óbvia. Sabia com antecedência que esses dias exigiriam de nossos corpos uma sobrecarga. Não queria que o inevitável cansaço levasse consigo tão preciosas horas contigo, amiga. Marquei de acertar as contas com meu corpo quando seu avião estivesse a mais de 30.000 pés.
Num balanço final, seu uso foi bem positivo. De certo numa próxima ocasião (que não tarda) ampliarei um bocadinho nosso estoque.

Algo não aconteceu por falta de coragem?
Sem medo de botar banca de macho alpha, assumo: Não deixei de fazer nada por falta de coragem. Inegável dizer que não houve uma certa expectativa na coisa, saca?... Mas mesmo não sendo muito bom em identificar indícios denunciatórios, não percebi nenhum feedback. A máxima que diz  que “a ocasião é rara” nunca fez tanto sentido. Concorda?


Estamos mais maduros ou fomos tomados por uma súbita adolescência?
Todos nós somos adeptos da experimentação como porta de entrada principal para aquele verbo indefinível chamado viver. O tempo é curto mas a experiência é longa e difícil, e se recria com a fluidez  da memória. O toque, o cheiro e todo imenso arsenal  de sensações libidinosas e lisérgicas nos marcam tanto que  buscamos sugar gota a gota o deleite vivido através das lembranças. Fizemos tudo (ou quase) que nossos corpos pediam. Bom salientar que não se trata de puro hedonismo, afinal o bem estar do grupo deve prevalecer ao individual. Precisa de uma certa maturidade para atingir esse estágio, não acha?
Percebo, mais do que nunca, que todos estão mais responsáveis pelos seus atos. Nossos demônios alados desaparecem no horizonte levando consigo o medo de assumir quem realmente somos. E quando nos reunimos – os três – entre cervejas e bauretes, não são apenas risadas que ecoam no cômodo. Acho que enfim descemos do altar da adolescência através da significação de culpa.  

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Um bocadinho de ordem no teu caos.


Fazem alguns dias que me consumo em pensamentos. Daqueles odiosos, suponho, por ti.
Insisto em indagar e ouso dizer. Tenho pago um alto preço...
E digo isso por anseios que não me inibo em compartilha-los a você.
Ando aflita. Acredito, por sementes derramadas em estradas passadas. Pois o destino, há muito não me acompanha...

Sem mais rodeios:
Aqui se faz, aqui se paga?

***




A vida é breve.
A arte é longa.
 A experiência é difícil.
 O juízo é incerto.
A ocasião é rara.

Se fosse pra  responder na bucha eu diria sem titubear, não. A imprevisibilidade “parece” nos  guiar. Será mesmo? Sabemos que vida e caos são indissociáveis. E que existe um determinismo em todo evento caótico  Uma espécie de padrão pode ser identificado através de uma leitura  menos reducionista do mundo. Essa é a espinha dorsal da Teoria do Caos. A imprevisibilidade previsível, uma desordem ordenada... Edward Lorenz.
A resposta para sua pergunta pode estar nas relações de causa e efeito. Aqui se faz, aqui se paga? Sim e não.  Depende do que necessariamente signifique “pagar”. Os atos mais simples podem desencadear eventos complexos – e vice e versa. Sabemos que há uma ordem. Agora se ela será de punição fica difícil prever... mas não impossível.
Sentir culpa é um ato humano. Sua ausência transforma o individuo num monstro. Precisamos saber digeri-la para transpassá-la. Portanto minha cara, culpa não é crime, é na verdade o contrario.

Para economizar alguns bytes vou emendar aqui uma reflexão (pertinente) que carece de sua analise sempre afiada.

O ser humano como principal culpado por seu sofrimento. Na sagacidade que têm em seguir seus desejos individuais fracassa na tentativa do bem estar comum. O individual acima do coletivo.

Acho que é isso.

Beijo em slow-motion,

Tchau.

Ps.: Você já viu Dogville do Lars von Trier?

sábado, 19 de novembro de 2011

Desejos de uma morte qualquer.

Olá minha cara amiga.

Hoje acordei com uma inquietação das mais antigas de nossa espécie. A sombra negra que nos persegue até seu inevitável encontro. A  mais danada das danadas. O mais completo vazio de luz e som... o ponto final que cala todo o verbo.
E no meio desse complexo, te convido a compartilhar comigo suas inquietações sobre esse tema tão pertinente.

Aprova o desafio, ou prefere morrer antes pra ter maior embasamento?

Beijos gélidos,

Nosferatu (preferia alguém mais bonitão, paciência).




Nosferatu...
Sim, meu caro, em meio a este caus interno, neste instante eu preferia alguém mais bonitão e que não cheirasse a enxofre.
Então começo esta conversa, com outras que não são as minhas...

"Tudo é milagre.
Tudo, menos a morte.

"na certa morreria um dia como se antes tivesse estudado de cor a representação do papel de estrela. Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de glória de cada um e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes." (Clarisse Lispector)

A principio achei que falar de morte era algo muito fácil, mas na verdade em certas ocasiões ela passa a se tornar um item cobiçado. Impossível falarmos sem sentir seu doce gosto.
Em uma outra vida, que tive antes dessa, quando eu acreditava em céu, inferno e no castigo de Deus, eu tinha muito medo da morte. Mas acho que devia ser um medo de morte em si, era um medo de não ser boa o suficiente para chegar ao céu. Agora que me abstenho de fortes crenças, a morte não me parece tão voraz.
O tabu se faz presente por não sabermos o por vir...
Os Maias - civilização de extrema relevância na minha ignorante opinião - acreditavam na morte como uma passagem para uma nova etapa, acreditavam em vida após a morte. Preparavam seus mortos para uma espécie de viajem, mantendo com o morto os seus pertences e algumas vezes enviavam suas mulheres e servos junto. 
Juro que muitas vezes tenho uma imensa vontade de enviar pessoas que até estimo descobrir o que vem depois, antes de mim.
Você já conheceu pessoas que morreram? Eu já, e por mais que tentasse não consegui derramar lágrimas. Me choca, me toca, mas não me emociona. Isso que fique bem claro, não me trona alguém insensível ao ponto de fazer piadas ou lanchar em um velório. Apenas não choro. Por que a morte é apenas, talvez mais um ponto final nesta vida. 
Agora, paro frente ao espelho e me descubro mórbida, avida pelo saber. Por achar que ainda sou capaz e procuro a morte "pelos mesmos venenos". Nosferatus me sirva um copo deste, pois serei honesta não espero "gran finale" para mim. Quero uma morte modesta, daquelas que ninguém vê graça em fazer vídeo e botar no you tube ou capaz de alavancar pontos no Ibope Global. E amigos que Datena não narre o meu por vir. 
A morte não me assusta, mas a escrita em minha lápide...


Gélidos beijos de uma "noiva cadáver."

domingo, 13 de novembro de 2011

Uma noite no arrocha ou coisa que o valha!

Narciso disse que está noite valeria um texto... Então me levantei da merda do Pc, retoquei a maquiagem, botei o "jaco califórnia Azul, fiz umas mandingas e parti pro terror."
No principio me decepcionei, por que apesar de duvidoso gosto musical, o lugar tinha lá sua classe e não cheirava mal... Esperava um pulgueiro e não achei...
Por não saber dançar e ainda ter alguma noção do ridículo, o que aquela altura era algo raro, acabei por ficar só a mesa. Pobre de mim.
Quando achei que a noite já tinha dado tudo de si, por volta das 3:00h, me aparece um francês. Não sei ao certo o que ele disse, achei que queria a cadeira, fiz um gesto afirmativo com a cabeça e ele acabou por sentar ao meu lado.
O Francês, que eu não faço a menor ideia do nome, era uma mistura de Val (lembra do Val?) com o Malandro do Passat Alemão. Imagine!
A comunicação era um ato de coragem, minha unica língua mal falada é o português, que por acaso também não lhe caía bem. O incrível é que ele simplesmente não ligava muito. E. Pasmem. Calei-me em quase 80% de conversa. Apenas afirmava com a cabeça, mesmo sem entender. As vezes ele não reagia bem e eu ria. Ele voltava a falar.
Depois de muito tra-la-la, me tirou pra dançar. E falando assim até que soa romântico, mas não poderia ser. Numa luta alucinada contra a lei da gravidade, caminhamos. Um a carregar o outro. Quase romântico, se a musica não fosse tão ruim e o papo... Tão bom quanto minha dança. Não demorou para o Infeliz perceber que não seria EU que lhe mostraria o que a bahiana tem! 
Mesmo, o pobre, gastando todo seu repertório de cantadas Latinas, que aprendera com um colega uruguaio, não me convenceu que valeria  a pena.
Certo de que a dança era vã me disse algo ao pé do ouvido e isso eu saquei. Um amigo trouxe de longe, o mesmo das cantadas acredito, pela duvidosa qualidade. Demos um tiro pro alto. Bateu na hora. E em minutos, lá estava eu vomitando no sapato italiano do Francês. 
Aquele oxford tendencia. Quero um! 
Dai eu entendi por que todo aquele verbo gasto foi inútil. Aquele Sapato! (quando bebo fico fútil!)
Game over!
Vomitar num oxford da Prada elimina qualquer possibilidade de seguir a noite. Enquanto limpava o calçado eu saí a francesa e fui dormir no carro.



Deixo claro apenas que essa eu não levo no caderno de vergonha.






Ass: Pé de valsa

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Como exorcizar demônios rebeldes. Parte I

O ócio nos leva a coisas inesperadas... E resolvi ler a Bíblia...

"Não há arvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto. Porquanto cada árvore é reconhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas.
O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração."
(Lucas 6:43-45)

Refleti por um tempo neste trecho... me abstenho de maiores especulações, pois as deixo em suas mãos!


Homem de lata
Que neste momento se sente feliz por não ter um coração e assim se tornar mero espectador!

***


Saudações.

Antes de mais nada gostaria de lhe agradecer novamente, (coisa de gente chata, eu sei..) Aquela chacoalhada que você me deu foi nada menos que providencial. Depois de refletir muito decidi abrir a cela que jaziam trancafiados meus demônios tortos. “Voem, voem seres alados e levem consigo minhas agonias!”  E agora, despojado desse fardo moral novas perspectivas tomam foco. A vida nutri-se de  significados e eu me esforço em engordá-los.  Me livrei das  agouras que puniam meu presente pela descrença num futuro melhor. E agora caminho, um legítimo  homem de fé.
Agora, voltamos a programação normal....
Diante de todo esse progresso tecnológico a religião está longe de perder seus significados. Uma rasa analise nos permitiria atestar seu declínio incondicional. Afinal, a razão, a lógica cientifica que usamos para decodificar os mistérios da vida nos possibilitou desvendar um oceano de enigmas ancestrais. Novas visões de mundo foram consolidadas. E eu seria um  louco se negasse seus benefícios. Legal. O problema chave é que a ciência parece ocupar um lugar privilegiado no Olimpo. Dotada de uma arrogância oriunda da lógica racional que “dicotomiza” o mundo entre verdadeiro e falso, a razão tende a afirmar como inverossímil eventos em que ela é incapaz de aferir. Um exemplo claro disso é a negação da existência da alma. Um cientista que se imponha em desenvolver ferramentas capazes de provar ou não  a existência destes  fenômenos será ridicularizado entre a classe cientifica. É desse tipo de arrogância que falo... Freud por exemplo chegou a ser insultado ao demonstrar numa conferencia médica sua teoria sobre a sexualidade infantil. Sobre a existência da alma seria mais coerente afirmar “não posso provar que sim nem que não” do que simplesmente  um “não existe” por parte  quase unânime da ciência.
Até hoje a neurociência não sabe dizer como uma palavra se organiza dentro do cérebro. Que dirá estudos mais complexos sobre um outro nome para alma, a chamada consciência. Salvo alguns cientistas já falecidos como Thimoty Leary e Terrence Mckenna, em que ambos mereceriam ter suas obras revistas.
Todos sabemos que a ciência não explica tudo. A religião por sua vez, sim. Nos conforta diante da certeza do fim. Promete o que todos querem, a vida eterna.  Basta ter fé... Chega, chega, não quero catequizar ninguém.
Desculpe os floreios epifônicos... descobri que não posso viver sem eles.
Confesso que na primeira leitura do trecho citado (Lucas 6:43-45) não bateu nada.... Falha de interpretação, claro. Depois com mais calma o texto me remeteu a uma citação do Carl Jung que depois tentarei linkar corretamente “ .. .A racionalidade é uma casca de noz navegando num oceano de emoções.” Lindo né?
O individuo é uma criação humana. Com os gregos a racionalidade se tornou o ponto de partida na doutrina civilizatória. A razão  reina estritamente no campo das idéias , e o maior idealistas de todos, Platão (428/348 a. C.), foi o primeiro a rejeitar as experiências  como fator principal do conhecimento bruto, uma cagada sem precedentes na minha  descartável opinião. Pois sou do tipo que “sinto, logo existo”. Chega de afogar os afetos. Precisamos desligar de vez em quando a chavinha da moral e olhar um pouquinho pra dentro.  Nos Religar (by Léo Cavalvanti)
Apesar de o cristianismo ser considerado um neoplatonismo (pra pobre) pela negação do corpo (sensações) e supervalorizacção das idéias (for salvação) vejo algumas discretas semelhanças com a psicanálise – não ria - que surgiria muitos séculos depois. Em Marcos 5.9 Jesus perguntou ao demônio seu nome para poder expulsa-lo. “...Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos.”  Por quanto tempo carregamos problemas simplesmente por não conseguir identificá-los? Já em Lucas 6:45 “...porque a boca fala do que está cheio o coração.” Pode ser outro exemplo. Afinal a razão, o ego, sempre será uma coleira frágil demais para conter as emanações vorazes do inconsciente, ou melhor, do coração.

Fico por aqui...

Dr. Fausto




quarta-feira, 9 de novembro de 2011

De volta a um lugar chamado Narciso Aeon

Uma vez, há muitos e muitos anos Narciso ousou com tamanha essência do que é viver me afogar em meio ao torpor de um delicado papiro.
E só agora tento retribuir tamanha estima, pois hoje entendo que Narciso é humano.
Esta conversa que se segue trás de dentro o torpor de uma criança que descobre como uma mágica é feita.
Não admirava Narciso nos primeiros dias seus em minha vida. Até descobri-lo homem forte que sabe chorar quando se faz necessário.
Digo-lhes que Narciso não se fazia Humano perante meus olhos.Era alguém para ser admirado com certa distancia. e a cada momento que passamos juntos Narciso, eu e Alicia, nos descobria mais humanas, e Narciso ao seu modo com sua ciência nos guiava por teses e experiencias. Ele sempre sabe onde podemos chegar...
Escalava montes e atravessava desertos nos trazendo os perfumes, as essências e as ervas mais exóticas do oriente. Ele não nos permite medo quando estamos juntos por ser demasiadamente humano e entender - as vezes - que errar nos faz parte da vida.
Discutimos artes, história, religião e filosofia... mas sobre a vida apena falamos com a cadencia do ouvir, por talvez pensarmos igual e agirmos diferente.
Demos FRUTOS então e os mesmos talvez nos tenham feito realmente entender quem somos e reavaliarmos nossa vidas. nos vejo mais uma vez emaranhados, com Alicia e poucos outros, em um moinho de vento.
Descobrimos mais uma vez, juntos, uma maneira sem discutir apenas por ouvir. e desta vez sem o olhar que não esconde nada.
Poderia então passar meses aqui falando tudo o que penso e sei sobre uma mágico chamado Narciso Aeon e ao mesmo tempo digerindo os fatos de ultima hora.
Mas não faço. termino por sorrir.

Narciso me chama por Irmã.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Um Submarino não tão Amarelo...

Ouvi certa vez: Casamento é igual submarino. Pode subir mas foi feito mesmo pra afundar.
A cada dia que passa dou mais credibilidade a essa frase. Gostaria de receber reflexões suas sobre esse tema.
Ouso esta provocação por motivos que no presente momento vococê já  conhece.

Vale a pena assistir este programa: O Casamento entre o Amor e o Sexo.

Aqui me despeço,

Jó.



Jó... Jó...

Por incrível que pareça, sua sugestão realmente me fez refletir e por horas não consegui agir.
Só agora, depois da tormenta, consegui digerir a tudo.
Como é de nosso conhecimento Alicia sempre me fez confidencias como também faço a ela. Isso tudo já me era esperado e mesmo assim me abalou.
E apesar dos gigantescos pesares, desta vez preciso descordar.
Afinal o que é afundar?
Não gosto de encarar o fim como uma derrota - por mais que pareça.
Pessoas não têm o mesmo carro para sempre, nem o mesmo emprego, amigos ou lugares. E acho difícil que se encontrem apaixonados por mais de dois anos pela mesma pessoa. Deixo claro que aqui falo de Paixão e não de Amor.
Paixão é aquela fagulha. É a respiração ofegante que vira tesão só de olhar. O que nos faz cegos perante a inúmeras diferenças e que sem a mesma nos seria impossível suportar o ser amado por muito tempo. A gente se apaixona e aí: BUM!!! Toda uma floresta pra se queimar, mas um dia sem mais nem menos o combustível seca e passamos a ver o que realmente somos e queremos. 
É quando o príncipe vira sapo... E vice versa.
Então o amor não se faz suficiente para manter toda a rotina que o tempo traz. Decidimos abandonar o navio.
Mas o fim só é ruim se encarado de uma forma banal.
É absurdo que pior tenha sido você sempre terá, mesmo que no fundo, algumas boas lembranças e uma bagagem de informações sobre a vida. Que sem dúvida é um bônus...
Fim é apenas fim, e algumas vezes a gente só pensa que foi o fim...
Enfim, não estamos afundando meu caro Jó. apenas saindo de cena...
Sete anões passaram por Branca de neve e só o oitavo a fez feliz para sempre. Quem somos nós então para desanimar?
Meros mortais...
Vamos nos permitir apenas hoje olhar para traz sem que o sal nos consuma.