"Não há arvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto. Porquanto cada árvore é reconhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas.
O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração."
(Lucas 6:43-45)
Refleti por um tempo neste trecho... me abstenho de maiores especulações, pois as deixo em suas mãos!
Homem de lata
Que neste momento se sente feliz por não ter um coração e assim se tornar mero espectador!
***
Saudações.
Antes de mais nada gostaria de lhe agradecer novamente, (coisa de gente chata, eu sei..) Aquela chacoalhada que você me deu foi nada menos que providencial. Depois de refletir muito decidi abrir a cela que jaziam trancafiados meus demônios tortos. “Voem, voem seres alados e levem consigo minhas agonias!” E agora, despojado desse fardo moral novas perspectivas tomam foco. A vida nutri-se de significados e eu me esforço em engordá-los. Me livrei das agouras que puniam meu presente pela descrença num futuro melhor. E agora caminho, um legítimo homem de fé.
Agora, voltamos a programação normal....
Diante de todo esse progresso tecnológico a religião está longe de perder seus significados. Uma rasa analise nos permitiria atestar seu declínio incondicional. Afinal, a razão, a lógica cientifica que usamos para decodificar os mistérios da vida nos possibilitou desvendar um oceano de enigmas ancestrais. Novas visões de mundo foram consolidadas. E eu seria um louco se negasse seus benefícios. Legal. O problema chave é que a ciência parece ocupar um lugar privilegiado no Olimpo. Dotada de uma arrogância oriunda da lógica racional que “dicotomiza” o mundo entre verdadeiro e falso, a razão tende a afirmar como inverossímil eventos em que ela é incapaz de aferir. Um exemplo claro disso é a negação da existência da alma. Um cientista que se imponha em desenvolver ferramentas capazes de provar ou não a existência destes fenômenos será ridicularizado entre a classe cientifica. É desse tipo de arrogância que falo... Freud por exemplo chegou a ser insultado ao demonstrar numa conferencia médica sua teoria sobre a sexualidade infantil. Sobre a existência da alma seria mais coerente afirmar “não posso provar que sim nem que não” do que simplesmente um “não existe” por parte quase unânime da ciência.
Até hoje a neurociência não sabe dizer como uma palavra se organiza dentro do cérebro. Que dirá estudos mais complexos sobre um outro nome para alma, a chamada consciência. Salvo alguns cientistas já falecidos como Thimoty Leary e Terrence Mckenna, em que ambos mereceriam ter suas obras revistas.
Todos sabemos que a ciência não explica tudo. A religião por sua vez, sim. Nos conforta diante da certeza do fim. Promete o que todos querem, a vida eterna. Basta ter fé... Chega, chega, não quero catequizar ninguém.
Desculpe os floreios epifônicos... descobri que não posso viver sem eles.
Confesso que na primeira leitura do trecho citado (Lucas 6:43-45) não bateu nada.... Falha de interpretação, claro. Depois com mais calma o texto me remeteu a uma citação do Carl Jung que depois tentarei linkar corretamente “ .. .A racionalidade é uma casca de noz navegando num oceano de emoções.” Lindo né?
O individuo é uma criação humana. Com os gregos a racionalidade se tornou o ponto de partida na doutrina civilizatória. A razão reina estritamente no campo das idéias , e o maior idealistas de todos, Platão (428/348 a. C.), foi o primeiro a rejeitar as experiências como fator principal do conhecimento bruto, uma cagada sem precedentes na minha descartável opinião. Pois sou do tipo que “sinto, logo existo”. Chega de afogar os afetos. Precisamos desligar de vez em quando a chavinha da moral e olhar um pouquinho pra dentro. Nos Religar (by Léo Cavalvanti)
Apesar de o cristianismo ser considerado um neoplatonismo (pra pobre) pela negação do corpo (sensações) e supervalorizacção das idéias (for salvação) vejo algumas discretas semelhanças com a psicanálise – não ria - que surgiria muitos séculos depois. Em Marcos 5.9 Jesus perguntou ao demônio seu nome para poder expulsa-lo. “...Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos.” Por quanto tempo carregamos problemas simplesmente por não conseguir identificá-los? Já em Lucas 6:45 “...porque a boca fala do que está cheio o coração.” Pode ser outro exemplo. Afinal a razão, o ego, sempre será uma coleira frágil demais para conter as emanações vorazes do inconsciente, ou melhor, do coração.
Fico por aqui...
Dr. Fausto

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