sábado, 19 de novembro de 2011

Desejos de uma morte qualquer.

Olá minha cara amiga.

Hoje acordei com uma inquietação das mais antigas de nossa espécie. A sombra negra que nos persegue até seu inevitável encontro. A  mais danada das danadas. O mais completo vazio de luz e som... o ponto final que cala todo o verbo.
E no meio desse complexo, te convido a compartilhar comigo suas inquietações sobre esse tema tão pertinente.

Aprova o desafio, ou prefere morrer antes pra ter maior embasamento?

Beijos gélidos,

Nosferatu (preferia alguém mais bonitão, paciência).




Nosferatu...
Sim, meu caro, em meio a este caus interno, neste instante eu preferia alguém mais bonitão e que não cheirasse a enxofre.
Então começo esta conversa, com outras que não são as minhas...

"Tudo é milagre.
Tudo, menos a morte.

"na certa morreria um dia como se antes tivesse estudado de cor a representação do papel de estrela. Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de glória de cada um e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes." (Clarisse Lispector)

A principio achei que falar de morte era algo muito fácil, mas na verdade em certas ocasiões ela passa a se tornar um item cobiçado. Impossível falarmos sem sentir seu doce gosto.
Em uma outra vida, que tive antes dessa, quando eu acreditava em céu, inferno e no castigo de Deus, eu tinha muito medo da morte. Mas acho que devia ser um medo de morte em si, era um medo de não ser boa o suficiente para chegar ao céu. Agora que me abstenho de fortes crenças, a morte não me parece tão voraz.
O tabu se faz presente por não sabermos o por vir...
Os Maias - civilização de extrema relevância na minha ignorante opinião - acreditavam na morte como uma passagem para uma nova etapa, acreditavam em vida após a morte. Preparavam seus mortos para uma espécie de viajem, mantendo com o morto os seus pertences e algumas vezes enviavam suas mulheres e servos junto. 
Juro que muitas vezes tenho uma imensa vontade de enviar pessoas que até estimo descobrir o que vem depois, antes de mim.
Você já conheceu pessoas que morreram? Eu já, e por mais que tentasse não consegui derramar lágrimas. Me choca, me toca, mas não me emociona. Isso que fique bem claro, não me trona alguém insensível ao ponto de fazer piadas ou lanchar em um velório. Apenas não choro. Por que a morte é apenas, talvez mais um ponto final nesta vida. 
Agora, paro frente ao espelho e me descubro mórbida, avida pelo saber. Por achar que ainda sou capaz e procuro a morte "pelos mesmos venenos". Nosferatus me sirva um copo deste, pois serei honesta não espero "gran finale" para mim. Quero uma morte modesta, daquelas que ninguém vê graça em fazer vídeo e botar no you tube ou capaz de alavancar pontos no Ibope Global. E amigos que Datena não narre o meu por vir. 
A morte não me assusta, mas a escrita em minha lápide...


Gélidos beijos de uma "noiva cadáver."

Um comentário:

  1. Este texto tem muitas coisas que eu acredito e está bem escrito também! Gostei também!

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