sexta-feira, 29 de março de 2013

OS MUROS


Os grandes tomavam o sol
com seus grafites
6:20 am
o seio pálido saia,
era farto.
A boca da favela alimentava
O que era seu
Dois ou três barrigudinhos
Grudavam-se as tetas

Na cidade que nasce
E não cresce.

sábado, 23 de março de 2013

Do outro lado da rua


Do outro lado da rua
A porta do cortiço,
Um gato.
Numa cor cinza.
Talvez raça, talvez caça.
Sem classe social.

A porta do cortiço,
Já não via,
não queria.
Um gato, numa classe,
Sem social.

Numa tarde cinza
Socialmente cinza.
Uma gato a porta do cortiço
Já não era classe.

E agora?
o prédio, o lance, a escada,
E a porta.
Mal classificados frente ao cortiço.

Onde o gato cinza,
Já não era
atravessará!

quinta-feira, 21 de março de 2013

SAUDADE



Eram compridas as escadas
os degraus de lugar algum
Naquela cidade
De lugares distantes
Tarde sem brisa
os altos prédios
não deixavams o vento tocar-lhe no rosto.
Era o caos urbano
de fumaça espeça
Em estradas sem movimento.
Que estanca
nem a frente
nem atras


E no fim do dia a sensação do dever comprido, cumprido!

sexta-feira, 15 de março de 2013

Masoquista



Era o inicio de mais um vicio. 
Satisfazer o teu sadismo.
Eu, sentada no teu colo, enquanto sentia a pele entre teus dedos. Repetia o mantra cerebral: “isso é só desejo”. Ainda de costas desabotoava-me, num caminho que já sabia de cor.
Eu extasiada num cheiro que era teu, que procurei em outros corpos, mas não. 
Era o teu.
Levanta brusco pra me olhar nos olhos e apaga a luz. Eu tento em vão despir-me, mas este é teu gosto, ver cada detalhe nu, na claridade fosca do abajur.
Ousei procurar sadismo, numa enciclopédia velha. A definição tinha teu nome e não notei. Prefiro não notar. Mas sei.
Agora te sinto entrar, no meu sentar. Seus olhos fecham, os meus reviram. Não existe calma, é só desejo.
A boca seca, a perna molha. Lhe dou as costas e tudo acaba. É só desejo.
Do teu sadismo.

domingo, 10 de março de 2013

A QUEM NÃO É FELIZ


  • Quando acordei estava entre tuas pernas. Não era um sono ou sonho profundo. Era o despertar do frenesi.
    Cavalgava. Livre. Na cadência do teu paladar.
    Quando olhei em teus olhos, senti o gosto do pecado que me tocava o ventre e escorria por entre os lábios.
    Lábios desejáveis de tuas saudades, de tuas vontades. Do teu tesão. Que se encontram no caminhar depois do umbigo. Quente.
    Pedia então a Deus que me tocasse como de costume, até que gozasse. Mas calasse.
    Não posso ouvir o erro que respinga da tua febre... É eu sei que sente febre. Também a sinto.
    E sei também que pedes perdão a ele. Pois sabe de sua metade.
    Restou-me então voltar ao chuveiro, rezando. Dizendo alto: “Febre abaixe! Por que não atendo mais a este delito.”
    O toque de quem não é feliz. Para que agora também me torne infeliz.