Era o inicio de mais um vicio.
Satisfazer o teu sadismo.
Eu, sentada no teu colo, enquanto sentia a pele entre teus
dedos. Repetia o mantra cerebral: “isso é só desejo”. Ainda de costas desabotoava-me,
num caminho que já sabia de cor.
Eu extasiada num cheiro que era teu, que procurei em outros
corpos, mas não.
Era o teu.
Levanta brusco pra me olhar nos olhos e apaga a luz. Eu
tento em vão despir-me, mas este é teu gosto, ver cada detalhe nu, na claridade
fosca do abajur.
Ousei procurar sadismo, numa enciclopédia velha. A definição
tinha teu nome e não notei. Prefiro não notar. Mas sei.
Agora te sinto entrar, no meu sentar. Seus olhos fecham, os
meus reviram. Não existe calma, é só desejo.

A boca seca, a perna molha. Lhe dou as costas e tudo acaba. É
só desejo.
Do teu sadismo.