Ela
estendeu a mão lhe pedindo um trago de cigarro. Ele negou com os olhos.
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Você não fuma
Estendendo
também a mão para lhe atender ao pedido. Achou bonito o jeito como ela tragava,
mas calou-se. Sem incentivos. Era tarde.
Faltava
pouco para chegar a sua rua. Ele dirigia como um doido, não aguentava mais
esperar. Ela cochichava todas as suas vontades a beira do ouvido. Ele
arrepiava, ela molhava.
Ambos
se desejavam, se queriam...
A
vários dias não se tocavam, mas sabiam bem o sabor um do outro.
Não
demorou a que ele dirigisse apenas com uma mão, enquanto a segurava pelos
cabelos. Sim, ela já estava entre suas pernas. Com os lábios, a língua, a
saliva. Já não existia outra coisa, só os dois.
Era
impossível chegar até quarto e pararam ali, assim, na rua mais próxima, na rua
mais silenciosa da noite.
Num
impulso súbito a calça jeans já não atrapalhava. Estava em cima, bem por cima e
vagarosamente encaixou-se nele.
As
suas mãos prenderam-se ao rosto e aos negros cabelos, cada vez mais excitada
por ouvir seus gemidos, que aumentavam a todo tempo. Adorou ver no fio de luz
que entrava seu rosto transfigurado de tesão.
Enquanto
ele segurava firme pela cintura, empurrava-a contra ele mesmo. Espremia. A todo
o momento dizia querer explodir, então lhe colocava mais força.
Aos
poucos algumas janelas ousaram acender as luzes. Eles nem perceberam,
continuaram. Até de fato explodirem, exaustos, tentavam se recompor, mas não
podiam... Queriam.
Ele
ligou o carro. Já não dirigia tão rápido.
Sorriram
ainda extasiados... Sabiam que a noite só havia começado.