E pra quem gosta de ousadia...
Isabel é um prato cheio.
Não é inocente. Não gosta de ser.
Uma poesia latina, vestida de poucos panos. Poesia de boca. Poesia de cintura. Poesia de cabelos castanhos. Longos. Cacheados.
Poesia que subia o morro com o noivo pelo braço.
Isabel é um prato cheio.
Não é inocente. Não gosta de ser.
Uma poesia latina, vestida de poucos panos. Poesia de boca. Poesia de cintura. Poesia de cabelos castanhos. Longos. Cacheados.
Poesia que subia o morro com o noivo pelo braço.
O refrão do funk despudorado não lhe saia dos lábios e
combinava com o corpo de verso e prosa.
Ontem no baile era só ela. Um vestido azul clarinho na pele pouco queimada de sol.
Ontem no baile era só ela. Um vestido azul clarinho na pele pouco queimada de sol.
Isabel desceu o morro, foi quebrar no baile seu noivo, um
sargento baixo metido a dono do saber, lhe acompanhou, queria entender o que
tanto fazia falta a morena.
O sargentinho sentou-se numa mesa bem ao centro onde poderia
se firmar na beleza da morena. Todos a olhavam, todos a desejavam e ele se
sentiu grande por acreditar possuí-la.
E descem uma, duas,
três doses. Quanta cortesia pensava a mente de Isabel, enquanto os quartos se requebravam
leve, ainda sentada na cadeira.
Então a cartada final, lhe trouxeram um papel de dose cavalar e origem duvidosa. Não caiu bem nem no estomago, menos na mente do sargento baixo. Desaparecendo num relance a procura de um banheiro.
Então a cartada final, lhe trouxeram um papel de dose cavalar e origem duvidosa. Não caiu bem nem no estomago, menos na mente do sargento baixo. Desaparecendo num relance a procura de um banheiro.
Demorou. Custou muito
a recuperar-se.
Tarde demais. Lá estava ela. No meio de tantos e de todos. O
funk soava e os braços subiam e os quartos desciam. E o suor era capaz de
molhar quem a olhasse. Agora os longos cachos pareciam jamais escovados, com as
pontas molhadas chicoteava os muitos parceiros.
Isabel morena.
Morena rosa.
Rosa. Morena.
Sentir Isabel era cobiçar Afrodite, mas ela jamais soube
disso.
Entre trancos dançantes de Isabel, eis que o sargento recobre
a memória e tenta tirar a noiva de dentro do baile. Era tanta gente, tanto
aperto, tanto suor, tanto prazer. O jovem quase sem tato custou a tocar a
noiva. Mas enfim o fez. Puxou a pelo cotovelo, lhe arrastando baile a fora.
- “Ora, não faça papel de louca.”
Mas a morena apenas ria. Apenas ria.
O vestido agora já era menor que antes. E a pequena em
versos desencabulados encontrava-se no muro fraco que corria pelo morro. Pobre do
noivo, a quis mas não pode subir. O paraguaio o derrubara.
E ela apenas ria, sabendo que só fazia necessário, para
calar o seu desejo o seu próprio corpo e mais nada, mais ninguém.
Ria enquanto o sargento noivo corava de aflição. Isso nunca
lhe ocorrera antes. Com um beijo na testa despediu-se.
Subiu o morro seminua, assobiando o refrão do funk...
DEPOIS DE TANTO TOCOU-SE. E ENTRE SEUS DEVANEIOS, NÃO ERA O
NOIVO QUE A MOLHAVA...
