quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Uma Poesia de Cintura e Boca.


E pra quem gosta de ousadia...
Isabel é um prato cheio.
Não é inocente. Não gosta de ser.
Uma poesia latina, vestida de poucos panos. Poesia de boca. Poesia de cintura. Poesia de cabelos castanhos. Longos. Cacheados.
Poesia que subia o morro com o noivo pelo braço.
O refrão do funk despudorado não lhe saia dos lábios e combinava com o corpo de verso e prosa.
Ontem no baile era só ela. Um vestido azul clarinho na pele pouco queimada de sol.
Isabel desceu o morro, foi quebrar no baile seu noivo, um sargento baixo metido a dono do saber, lhe acompanhou, queria entender o que tanto fazia falta a morena.
O sargentinho sentou-se numa mesa bem ao centro onde poderia se firmar na beleza da morena. Todos a olhavam, todos a desejavam e ele se sentiu grande por acreditar possuí-la.
 E descem uma, duas, três doses. Quanta cortesia pensava a mente de Isabel, enquanto os quartos se requebravam leve, ainda sentada na cadeira.
 Então a cartada final, lhe trouxeram um papel de dose cavalar e origem duvidosa. Não caiu bem nem no estomago, menos na mente do sargento baixo. Desaparecendo num relance a procura de um banheiro.
 Demorou. Custou muito a recuperar-se.
Tarde demais. Lá estava ela. No meio de tantos e de todos. O funk soava e os braços subiam e os quartos desciam. E o suor era capaz de molhar quem a olhasse. Agora os longos cachos pareciam jamais escovados, com as pontas molhadas chicoteava os muitos parceiros.
Isabel morena.
Morena rosa.
Rosa. Morena.
Sentir Isabel era cobiçar Afrodite, mas ela jamais soube disso.
Entre trancos dançantes de Isabel, eis que o sargento recobre a memória e tenta tirar a noiva de dentro do baile. Era tanta gente, tanto aperto, tanto suor, tanto prazer. O jovem quase sem tato custou a tocar a noiva. Mas enfim o fez. Puxou a pelo cotovelo, lhe arrastando baile a fora.
- “Ora, não faça papel de louca.”
Mas a morena apenas ria. Apenas ria.
O vestido agora já era menor que antes. E a pequena em versos desencabulados encontrava-se no muro fraco que corria pelo morro. Pobre do noivo, a quis mas não pode subir. O paraguaio o derrubara.
E ela apenas ria, sabendo que só fazia necessário, para calar o seu desejo o seu próprio corpo e mais nada, mais ninguém.
Ria enquanto o sargento noivo corava de aflição. Isso nunca lhe ocorrera antes. Com um beijo na testa despediu-se.
Subiu o morro seminua, assobiando o refrão do funk...
DEPOIS DE TANTO TOCOU-SE. E ENTRE SEUS DEVANEIOS, NÃO ERA O NOIVO QUE A MOLHAVA...